- PERSONA
INDEBITU -
VAMOS INTERCALAR O
TEXTO DO SR. ABÍLIO DINIZ COM AS NOSSAS CONVICÇÕES SOBRE O TEMA QUE ELE MUITO
BEM O ABORDA E DISCORRE SOBRE O MESMO.

O
Brasil e a Copa. Texto de Abílio Diniz.
A quase um mês da Copa do Mundo, vejo a bola rolando quadrada no país do futebol. A festa que se previa deu lugar à tensão e ao ceticismo. (O ceticismo caros leitores é fruto da descrença que nós brasileiros formamos sobre o que vale mais para nós, se uma copa do mundo em nosso país, ou se uma condição de vida digna para todos nós os brasileiros. Veja: - era assim que um destacado “líder” iniciava seu discurso e argumentações para discorrer sobre nós brasileiros e os nossos problemas existenciais – quem é que ganha efetivamente alguma coisa com todo esse aparato futebolístico? Quem é que tira as imensas vantagens com todo esse investimento de bilhões e bilhões de dólares, pagos pelos cofres públicos do nosso país para promover um evento dessa magnitude e cujo resultado jamais retornará para a instituição bancária que o financiou e que é o tesouro nacional? O que efetivamente o povo, verdadeiramente, o povo, ganha com todo esse escarcéu articulado e adredemente preparado e que mais parece um cala boca para todas as suas agruras e dificuldades e misérias que o assola? Essas Sr. Abílio são algumas interrogações e reflexões iniciais que gostaríamos de vê-las respondidas, na medida em que as mesmas “possam” ser argumentadas e efetivamente respondidas com racionalidade.)
Sempre declarei meu amor pelo Brasil.(Caríssimo Sr. Abílio Diniz, é lindo ver e ouvir alguém declarando amor ao Brasil. Me emociono quando vejo algo e/ou alguém se pronunciando dessa forma, especialmente tendo como pano de fundo o nosso País. Mas, gostaríamos mesmo que aqueles brasileiros que respeitam esse solo sagrado do coração do mundo gostassem e se sentissem felizes em habitarem e pisarem esse, repito, sagrado solo. Talvez gostando do Brasil, todo e qualquer indivíduo que aqui vivesse pudesse despertar para uma realidade transcendente que é a de que gostar; gostar é compactuar, é ceder, é transigir; já aqueles que amam são exigentes, meticulosos, rigorosos, intransigentes porque o amor cobra e impõe a troca de interesses e sentimentos acumpliciados.) Trabalho para ajudar a melhorar este país, gerando empregos, dando aulas, apoiando iniciativas nas áreas de educação e esporte e investindo em empresas que possam contribuir para o seu crescimento.
Como milhões de brasileiros, eu tenho o futebol como paixão.( Sr. Abílio futebol como paixão só mesmo para quem pode! Veja: como é que eu ou alguém pode se dizer apaixonado por futebol, e, especialmente se esse alguém mora nessas milhares de comunidades carentes, nesses milhões de sertões miseráveis, famintos e morrendo à míngua, nessas palafitas desgraçadas, nessas ruas malditas, nesses bolsões desgraçados e infectos que são as prisões e hospitais públicos desse país?). Vossa Excelência já parou para analisar o tamanho da desigualdade social, econômica, política e tributária com a qual todos os brasileiros – miseráveis e excluídos – convivem? Sim, quero dizer desigualdade tributária, isso mesmo a carga tributária à qual todos estão sujeitos e submetidos? Veja: - mais uma vez – Vossa Excelência já observou e reparou(se ainda não o fez, experimente fazê-lo) que eu como contribuinte que pago impostos desde um palito de fósforo que adquiro até um comprimido de remédio que compro, até um pacote de feijão, uma vela para iluminar meu barraco, meu casebre, pago o mesmo imposto que Vossa Excelência paga? Isso é ou não é uma crueldade das instituições públicas perpetradas contra aqueles hipossuficientes? Portanto Sr. Abílio a nossa verdadeira paixão é a vida, pois nenhum esporte nos vai amenizar tais agruras e sofrimentos, muito menos aqueles que vivem jogando pelas burras as fortunas ganhas às custas das nossas paixões deletérias em torno de algo que não nos traz o menor benefício, como é o futebol, seus asseclas e garotos de propaganda. Esses sim valem o peso deles em ouro! E não acho que protestando contra a Copa diante dos olhos do mundo ganharemos alguma coisa, pelo contrário. Devemos aproveitar a atenção mundial para mostrar a grandiosidade e as oportunidades do Brasil, não os nossos problemas. Estes, resolvemos nós. ( Perdão Excelência, “Estes nós resolvemos”a que o Sr. se refere será quem? São as autoridades públicas do nosso país a quem o Sr. quis se referir? Quem são Sr. Abílio o “nós resolvemos”? O bispo, o patrão, o agiota, o doleiro dos políticos, os ministros, os senadores, os deputados, os governadores, os prefeitos, os vereadores, os juízes, os sindicalistas, os ladrões, os bandidos, os prostitutos, as prostitutas, os cartolas, o fmi, o mercosul, a onu, a oea, a oit, a comunidade européia, a fifa, a cbf, sei lá a quem Vossa Excelência que se referir...Só sabemos que de tanto esperar por esse “nós resolvemos”uma onda de desgraça e misérias nos assola o país, indiscutivelmente, inapelavelmente, eis a realidade que não se pode esconder, doa a quem doer. O nosso futuro é funesto.)
A quase um mês da Copa do Mundo, vejo a bola rolando quadrada no país do futebol. A festa que se previa deu lugar à tensão e ao ceticismo. Pesquisa Datafolha aponta que hoje mais brasileiros rejeitam a Copa do que a apóiam. É possível que saia mais gente às ruas do país para protestar contra o torneio do que para celebrá-lo.
A intenção deste artigo não é desestimular ninguém a protestar. São muito justas as reivindicações por investimentos em educação, saúde, moradia, segurança e transportes. Com a nossa pesada carga de tributos, o Estado brasileiro deve, urgentemente, serviços mais eficientes e mais ética na gestão pública. Ter uma população mais engajada, exigindo serviços e gestão com a qualidade da nossa seleção e dos novos estádios, é saudável e legítimo.
Mas nós não podemos esquecer que a Copa do Mundo é uma das melhores oportunidades de projeção do país. Se a usarmos de forma eficaz na promoção da marca Brasil, ganharemos muito. E quanto mais ganharmos com a promoção global do país, menos a Copa nos terá custado. Num mundo cada vez mais globalizado, a imagem ou marca de uma nação pode ser mais importante do que o que ele produz e vende.
O Brasil não é só um país em construção, mas uma marca em construção. Uma marca que reflete tudo o que somos: um gigante em paz com os vizinhos, um país com enormes recursos humanos e materiais, uma das maiores democracias do mundo, uma economia de mercado de cerca de 200 milhões de consumidores, imprensa livre, Justiça independente, instituições sólidas. Quantos países têm essas credenciais?
O interesse das grandes empresas e dos grandes empresários estrangeiros pelo Brasil é enorme, vejo quando viajo para o exterior para promover nossos produtos e o nosso mercado. E não são apenas os empresários. Existem interesse e simpatia generalizados por um país de povo tão criativo, alegre e empreendedor.
Durante a Copa do Mundo, um terço do planeta estará grudado nas telinhas para ver os jogos e, por tabela, o país que os sediará. Não tem cartão de crédito nem emissão de títulos da dívida pública que paguem essa massiva publicidade global. Precisamos aproveitá-la ao máximo.( Menos Sr. Abílio, menos... Instigo Vossa Excelência a se pronunciar novamente sobre esses fatos daqui a um ano. Gostaríamos de ver novo pronunciamento seu um ano depois confirmando o que acabas de profetizar, hoje!) O Brasil ainda é pequeno em comércio internacional e atração de turistas. Atrairemos muito mais recursos realizando uma Copa ordeira, que revele um país dinâmico, alegre e capaz de se organizar. Isto trará frutos para todos os brasileiros.
Também acho que foram cometidos equívocos. Não precisávamos de tantas sedes e estádios tão caros em cidades sem torneios de futebol expressivo. As obras de mobilidade urbana poderiam ter sido entregues a tempo. Precisamos tirar todas as lições desses fatos lamentáveis.
Mas a bola, afinal, vai rolar. O Brasil, maior seleção da história, sediará uma Copa já especial pela presença de todas as grandes seleções e seus craques fabulosos. Que honra receber e, torçamos, derrotar Messi, Cristiano Ronaldo, Balotelli, Özil e Iniesta.
O Brasil é muito maior que as dificuldades que atravessamos. Está na hora de mostrar o nosso amor por este país -- de começar a Copa cantando "sou brasileiro, com muito orgulho" e encerrá-la com "we are the champions".
ABILIO DINIZ é presidente do Conselho de Administração da companhia de alimentos BRF.
A quase um mês da Copa do Mundo, vejo a bola rolando quadrada no país do futebol. A festa que se previa deu lugar à tensão e ao ceticismo. (O ceticismo caros leitores é fruto da descrença que nós brasileiros formamos sobre o que vale mais para nós, se uma copa do mundo em nosso país, ou se uma condição de vida digna para todos nós os brasileiros. Veja: - era assim que um destacado “líder” iniciava seu discurso e argumentações para discorrer sobre nós brasileiros e os nossos problemas existenciais – quem é que ganha efetivamente alguma coisa com todo esse aparato futebolístico? Quem é que tira as imensas vantagens com todo esse investimento de bilhões e bilhões de dólares, pagos pelos cofres públicos do nosso país para promover um evento dessa magnitude e cujo resultado jamais retornará para a instituição bancária que o financiou e que é o tesouro nacional? O que efetivamente o povo, verdadeiramente, o povo, ganha com todo esse escarcéu articulado e adredemente preparado e que mais parece um cala boca para todas as suas agruras e dificuldades e misérias que o assola? Essas Sr. Abílio são algumas interrogações e reflexões iniciais que gostaríamos de vê-las respondidas, na medida em que as mesmas “possam” ser argumentadas e efetivamente respondidas com racionalidade.)
Sempre declarei meu amor pelo Brasil.(Caríssimo Sr. Abílio Diniz, é lindo ver e ouvir alguém declarando amor ao Brasil. Me emociono quando vejo algo e/ou alguém se pronunciando dessa forma, especialmente tendo como pano de fundo o nosso País. Mas, gostaríamos mesmo que aqueles brasileiros que respeitam esse solo sagrado do coração do mundo gostassem e se sentissem felizes em habitarem e pisarem esse, repito, sagrado solo. Talvez gostando do Brasil, todo e qualquer indivíduo que aqui vivesse pudesse despertar para uma realidade transcendente que é a de que gostar; gostar é compactuar, é ceder, é transigir; já aqueles que amam são exigentes, meticulosos, rigorosos, intransigentes porque o amor cobra e impõe a troca de interesses e sentimentos acumpliciados.) Trabalho para ajudar a melhorar este país, gerando empregos, dando aulas, apoiando iniciativas nas áreas de educação e esporte e investindo em empresas que possam contribuir para o seu crescimento.
Como milhões de brasileiros, eu tenho o futebol como paixão.( Sr. Abílio futebol como paixão só mesmo para quem pode! Veja: como é que eu ou alguém pode se dizer apaixonado por futebol, e, especialmente se esse alguém mora nessas milhares de comunidades carentes, nesses milhões de sertões miseráveis, famintos e morrendo à míngua, nessas palafitas desgraçadas, nessas ruas malditas, nesses bolsões desgraçados e infectos que são as prisões e hospitais públicos desse país?). Vossa Excelência já parou para analisar o tamanho da desigualdade social, econômica, política e tributária com a qual todos os brasileiros – miseráveis e excluídos – convivem? Sim, quero dizer desigualdade tributária, isso mesmo a carga tributária à qual todos estão sujeitos e submetidos? Veja: - mais uma vez – Vossa Excelência já observou e reparou(se ainda não o fez, experimente fazê-lo) que eu como contribuinte que pago impostos desde um palito de fósforo que adquiro até um comprimido de remédio que compro, até um pacote de feijão, uma vela para iluminar meu barraco, meu casebre, pago o mesmo imposto que Vossa Excelência paga? Isso é ou não é uma crueldade das instituições públicas perpetradas contra aqueles hipossuficientes? Portanto Sr. Abílio a nossa verdadeira paixão é a vida, pois nenhum esporte nos vai amenizar tais agruras e sofrimentos, muito menos aqueles que vivem jogando pelas burras as fortunas ganhas às custas das nossas paixões deletérias em torno de algo que não nos traz o menor benefício, como é o futebol, seus asseclas e garotos de propaganda. Esses sim valem o peso deles em ouro! E não acho que protestando contra a Copa diante dos olhos do mundo ganharemos alguma coisa, pelo contrário. Devemos aproveitar a atenção mundial para mostrar a grandiosidade e as oportunidades do Brasil, não os nossos problemas. Estes, resolvemos nós. ( Perdão Excelência, “Estes nós resolvemos”a que o Sr. se refere será quem? São as autoridades públicas do nosso país a quem o Sr. quis se referir? Quem são Sr. Abílio o “nós resolvemos”? O bispo, o patrão, o agiota, o doleiro dos políticos, os ministros, os senadores, os deputados, os governadores, os prefeitos, os vereadores, os juízes, os sindicalistas, os ladrões, os bandidos, os prostitutos, as prostitutas, os cartolas, o fmi, o mercosul, a onu, a oea, a oit, a comunidade européia, a fifa, a cbf, sei lá a quem Vossa Excelência que se referir...Só sabemos que de tanto esperar por esse “nós resolvemos”uma onda de desgraça e misérias nos assola o país, indiscutivelmente, inapelavelmente, eis a realidade que não se pode esconder, doa a quem doer. O nosso futuro é funesto.)
A quase um mês da Copa do Mundo, vejo a bola rolando quadrada no país do futebol. A festa que se previa deu lugar à tensão e ao ceticismo. Pesquisa Datafolha aponta que hoje mais brasileiros rejeitam a Copa do que a apóiam. É possível que saia mais gente às ruas do país para protestar contra o torneio do que para celebrá-lo.
A intenção deste artigo não é desestimular ninguém a protestar. São muito justas as reivindicações por investimentos em educação, saúde, moradia, segurança e transportes. Com a nossa pesada carga de tributos, o Estado brasileiro deve, urgentemente, serviços mais eficientes e mais ética na gestão pública. Ter uma população mais engajada, exigindo serviços e gestão com a qualidade da nossa seleção e dos novos estádios, é saudável e legítimo.
Mas nós não podemos esquecer que a Copa do Mundo é uma das melhores oportunidades de projeção do país. Se a usarmos de forma eficaz na promoção da marca Brasil, ganharemos muito. E quanto mais ganharmos com a promoção global do país, menos a Copa nos terá custado. Num mundo cada vez mais globalizado, a imagem ou marca de uma nação pode ser mais importante do que o que ele produz e vende.
O Brasil não é só um país em construção, mas uma marca em construção. Uma marca que reflete tudo o que somos: um gigante em paz com os vizinhos, um país com enormes recursos humanos e materiais, uma das maiores democracias do mundo, uma economia de mercado de cerca de 200 milhões de consumidores, imprensa livre, Justiça independente, instituições sólidas. Quantos países têm essas credenciais?
O interesse das grandes empresas e dos grandes empresários estrangeiros pelo Brasil é enorme, vejo quando viajo para o exterior para promover nossos produtos e o nosso mercado. E não são apenas os empresários. Existem interesse e simpatia generalizados por um país de povo tão criativo, alegre e empreendedor.
Durante a Copa do Mundo, um terço do planeta estará grudado nas telinhas para ver os jogos e, por tabela, o país que os sediará. Não tem cartão de crédito nem emissão de títulos da dívida pública que paguem essa massiva publicidade global. Precisamos aproveitá-la ao máximo.( Menos Sr. Abílio, menos... Instigo Vossa Excelência a se pronunciar novamente sobre esses fatos daqui a um ano. Gostaríamos de ver novo pronunciamento seu um ano depois confirmando o que acabas de profetizar, hoje!) O Brasil ainda é pequeno em comércio internacional e atração de turistas. Atrairemos muito mais recursos realizando uma Copa ordeira, que revele um país dinâmico, alegre e capaz de se organizar. Isto trará frutos para todos os brasileiros.
Também acho que foram cometidos equívocos. Não precisávamos de tantas sedes e estádios tão caros em cidades sem torneios de futebol expressivo. As obras de mobilidade urbana poderiam ter sido entregues a tempo. Precisamos tirar todas as lições desses fatos lamentáveis.
Mas a bola, afinal, vai rolar. O Brasil, maior seleção da história, sediará uma Copa já especial pela presença de todas as grandes seleções e seus craques fabulosos. Que honra receber e, torçamos, derrotar Messi, Cristiano Ronaldo, Balotelli, Özil e Iniesta.
O Brasil é muito maior que as dificuldades que atravessamos. Está na hora de mostrar o nosso amor por este país -- de começar a Copa cantando "sou brasileiro, com muito orgulho" e encerrá-la com "we are the champions".
ABILIO DINIZ é presidente do Conselho de Administração da companhia de alimentos BRF.
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